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TÃO PERTO DE MIM...

"Rima LIII" (Rima 53)
“Pero aquellas que el vuelo refrenaban
Tu hermosura y mi dicha a contemplar,
Aquellas que aprendieron nuestros nombres,
¡Esas ... no volverán!”
Gustavo Adolfo Bécquer

No ocaso de tudo, em que a noite acalenta o dia,
Vós me viestes Gustavo, pregar-se forte ás minhas retinas...
-E penetrar-me através delas!
Moço novo, a desfraldar a tempestade das minhas memórias,
E por á mostra, nuances distintas de minha vida, já tão velha...
Estático, quase choro! – Mas, faltam-me lágrimas!
Foram-se todas pelas minhas andorinhas que não voltaram...
Pelas quais escrevo linhas, nas idas e vindas dos descaminhos...
Mas, se vós me fita-se, e se estivessem azuis os meus olhos,
Verias que sou todo a todo o tempo, o tempo dos objetos, e das coisas...
Enquanto você, que me embaraça as lembranças, para meu espanto
É o espaço de luz que me falta...
Antes, és a poesia que me escapa dentre dedos tortos!
É em ti, que as poesias se encontram, aos meus embaçados olhos!
Será Gustavo, que porque você nem sabe o meu nome,
Está tão perto de mim, e me envolve e põe á mostra,
Toda a estranheza que existe dentro de mim?

Edvaldo Rosa
www.sacpaixao.net
06/10/2020
 
Edvaldo Rosa
Enviado por Edvaldo Rosa em 05/02/2021


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Imagem de cabeçalho: Shandi-lee/flickr