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Á MÃE, POR PRAZER OU PELA DOR...
 
Hoje falo àquela mulher que partilhou o próprio corpo,
E deu ás suas sementes o suor do homem,
Que naquele tempo, penso, era bruto e tosco,
Diante da boneca de porcelana, deitada em seu leito!
Que espero que aquele momento de partilha,
Tenha sido bom, lindo, tenha sido pleno, leve e solto,
E que diante dos olhos de menina,
A noite tenha se tornado dia, pelo brilho e pela luz,
Em seus olhos meigos, por puro contentamento!
Hoje, passado tanto tempo, aquela mulher é bem mais que uma menina,
Enquanto o homem é foto esmaecida, esquecida em algum canto!
Inclino-me diante ti, mãe querida, que a despeito de tudo,
Aquele rebento, que de tão pequeno, numa caixa para as tuas sapatilhas,
Cabia, estirado e solto, deu e manteve a vida!
E como antes, neste momento, sinto-me como o menino que aconchegas-te ao peito,
Em tantos dias e em tantas noites de vigília...
Beijo-te as faces, fitando-te os olhos,
Desejando que hoje, seja puro em alegrias...
Como no dia, ou na noite, em que me destes a vida,
Naquele momento de partilha,
Onde para ser mulher imolas-te no altar do homem a própria inocência...
Se eu me engano, e se me permite que eu me engane,
Para que não se abram em mim as tuas próprias feridas,
Saiba que eu te desejo, tanto, a todo o tempo,
Que eu tenha sido um balsamo na tua vida!
Por ti mãe tão humana, eu rogo, a Deus, a Virgem Maria,
Por ter devotado a própria alma para ver-me bem por anos e anos...
Querida mãe que foi me formando, pouco a pouco, dia a dia,
Enquanto a senhora por si mesma, parece que se esquece, o quão definha!
 
Edvaldo Rosa
www.sacpaixao.net
10/05/2020
 
 
 
Edvaldo Rosa
Enviado por Edvaldo Rosa em 10/05/2020
Alterado em 10/05/2020


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Imagem de cabeçalho: Shandi-lee/flickr