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 Bendito é o fruto do amor!
 
 
Tem horas que a gente é pego de surpresa, por fatos e por acontecimentos, que fazem brotar lágrimas em nossos olhos, copiosamente... O fato é que hoje é 30 de novembro, e meu filho Hugo completa 24 anos de idade. O acontecimento é poder abraçá-lo nesta data, e sentir que o amor entre nós existe, e é forte, e é intenso... A surpresa, que nem deveria ser tanta assim, é ter na memória, gravado tão vivamente o dia de seu nascimento. Acontecimento histórico em minha vida...  Marinheiro de primeira viagem, cheio de ansiedade, preocupações e medos, que por não acompanhar o parto do primeiro rebento, andava e desandava no corredor da maternidade, sem ter rumo...
Mãos suadas passeavam no vidro do berçário, a espera da chegada do menino...
E vinham outras crianças, meninas e meninos, recém nascidos, frutos de um amor entre outros pais... E o meu rebento não vinha... Em dado momento, pessoas desconhecidas, condoídas pela minha ansiedade acercaram-se de mim, perguntando-me se estava sozinho, onde estava a minha parentada, naquele momento tão crucial... Amei tanto aqueles desconhecidos, amo-os ainda agora, sem saber quem são, onde estão neste momento, que para mim é tão especial.
E finalmente ele veio, esperneando, despachado... A enfermeira disse-me entre sorrisos largos, que ele era um homem, um menino forte e esperto, que tinha a cara do pai...
Indicou-me maliciosamente, que ele era do grupo das gentes que tinham “aquilo roxo”, e que por isso seria de gênio difícil e argumentamos sobre isso algo a mais...
E depois, pegá-lo no colo, olhos lagrimejando, ladeado por outros parentes e amigos, fitando nos olhos a sua mãe, é ainda um momento caro, que mesmo tendo acontecido a vinte quatro anos atrás tem um que de eternidade... É um momento inesquecível... Tenho outro belo e amado filho, o Murilo, que muito me honra e quer bem, do qual falarei em outro momento, pois temos também momentos fortes, passagens marcantes por demais...  Mas é que o nascimento do Hugo transformou um recém casado, um menino feito homem, em um pai!
E esta transformação que se iniciará nove meses antes, ainda estava por completar-se com o seu nascimento, pois a vivência nestes vinte e quatro anos subseqüentes nos ensinaria muito mais, e amadureceria os nossos sentimentos...
Anos que foram dóceis e duros...
Anos em que as nossas vidas se refizeram diversas vezes, vida que ainda se transformará ainda mais... Anos que mostram que a vida é como um rio corrente, com momentos em que as correntezas são mansas e calmas, para em outros serem enfurecidas, quase loucas correntes, a querer lançar-nos diretamente nas pedras, nas margens de nossas vidas!
E nestes anos vividos, quantos não foram os meus erros, quantas não foram as minhas vontades insatisfeitas, quantas vontades alheias não foram desprezadas, por minha sensibilidade desatenta...
Mas, agora, somos parceiros em um novo roteiro, parceiros em um caminhar por outras rotas, embora eu saiba e sinta, e pressinta, que chegará o momento em que não andaremos tão emparelhados, em andares paralelos, pois a rota de minha vida tenha um direcionamento próprio, que não se coaduna com a rota dos passos da vida dele... Individualidades são bênçãos, e são ao mesmo tempo, deixam marcas profundas, que às vezes transformamos em chagas mal curadas e sempre abertas, quando não há entendimento, quando um consenso é impossível, e uma meta com sucesso incerto...
A maternidade e a paternidade é bem isso, não basta gerar os filhos, colocá-los num mundo para o qual não nascem prontos, para o enfrentamento, sob circunstâncias que não os favorecem...
Aprendi com o Hugo, que ser pai é bem mais do que ter uma mulher e ser fértil!
Apreendi com a vivência com ele, e com a distância dele, que ser pai não é uma questão financeira...
Notei com tristeza e desassossego que ser pai é ser presente, e ter vontades claras, e voz firme, tanto quanto meiga e quanto áspera, diálogos francos, moldados com sentimento, afeto, carinho, e com firmeza, consoantes com as circunstâncias dos momentos...
Aprendi, tudo isso, duramente, durante estes vinte quatro anos com o Hugo!
Ensinamentos que muito me ajudaram na educação do Murilo...
E entre tantos sentimentos, e as lembranças da vida da gente, pude olhar nos olhos de meu filho, e sentir que o amo profundamente, eternamente, ternamente...
Ele completa quase um quarto de sua estadia na terra... Eu já ando no segundo quarto... Até onde estaremos juntos é uma questão sem resposta, mas sinto-me feliz... Desejoso de que ele também se sinta feliz e pleno... Mesmo sendo ainda tão jovem! Mas o tempo é uma dádiva e faremos de tudo por merecê-lo!
Ficam aqui, as marcas de meu amor e carinho, gratidão pelo aprendizado  vivenciados com a ajuda de meu primeiro filho, Hugo, inscritas com letras carregadas de sensibilidade!
Fica aqui a felicidade por ter provado do fruto do pecado, sem ter pecado, mas com amor e carinho, com a mãe deste maravilhoso menino, hoje homem, quase desgarrado, de meus cuidados...
E se por um lado comporto-me como um saudosista, amante de memórias, dum passado, pretérito imperfeito, noutro sou todo esperança, pois o futuro esta sendo arquitetado...
É fato, que o destino, pode não ser bem o esperado!
Mas, por observação atenta e amorosa a tudo o que já foi vivido, fica latente o sentido de que tudo estará bem acomodado, se persistirmos no amor...


Edvaldo Rosa
www.sacpaixao.net
30/11/2011
 
 
 
Edvaldo Rosa
Enviado por Edvaldo Rosa em 30/11/2011
Alterado em 30/11/2011


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Imagem de cabeçalho: Shandi-lee/flickr