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EU E MAMÃE... QUASE 71 ANOS JUNTOS!
 
Teve um tempo que eu e mamãe fomos um só... Onde nossas carnes eram uma só para dois, e nossas almas eram duas em uma só pessoa!
Hoje somos distintos, destinos que ora se entrecruzam, ora correm em paralelo, ora tangenciam um ao outro, ora se afastam, e ora se aproximam...
Mas, as nossas individualidades de hoje, dado ao passado em comum, mostram-se apenas como o desenrolar da vida... - Árvore que após o fruto, vê deste deitar ao solo da vida, suas sementes, que o tempo maturou e transformou em outra árvore!
Nossas individualidades de agora, baseiam-se em reciproco respeito, e um amor sem medidas, e sem hora!
Tenho marcas da presença de minha mãe em minha vida, tenho marcas de sua presença em meu próprio corpo... Melhor, as marcas que poderia trazer comigo e não trago são traços de um passado, em que minha mãe agindo com garra evitou, com seus cuidados, que eu hoje trouxesse resquícios de um corpo que foi totalmente queimado, por arroz derramado, em meus braços, naquele tempo tão raquíticos...
Tenho marcas também nas lembranças, e destas não declino aqui, por certo pudor... - O amor não deve precisar de provas que o comprove, a não ser nas consciências de quem ama e de quem é amado. E mesmo assim, não como marca de comprovação, mas antes, de que existiu!
Tenho também minha mãe diante de meus olhos, quando em sua ausência vejo a natureza, os pássaros, os rios e matas... Mamãe é bem natureza! E quando me deparo com crianças, mamãe é bem criança... – O que desperta em mim um ciúmes tardio...
Mamãe também me aparece em poesias, algumas das quais bem melhores do que as minhas, pois ela, mamãe é bem romântica, sensível, imaginativa!
Mamãe também me aparece nos silêncios, em que de vez em quando se transforma a minha vida... A solidão me aproxima de minha mãe! Como também a profusão de gentes ao meu derredor me propicia... Em muitas horas, momentos, eu queria tanto estar com minha mãe!
É o caso de agora, hoje ela, a minha velhinha faz 71 anos, com uma carinha de menina, e eu, não posso estar com ela!
Resta-me que meus outros irmãos a abracem, beijem, felicitem, por eles mesmos, pelo bem que ela fez e faz para todos eles, e suas esposas, e seus filhos, mas que a possam abraçar por mim também...
Eu que fui o primeiro rebento a rebentar de suas entranhas, a amo por demais e demais, mas os meus caminhos hoje são diferentes, e estando onde estou sozinho, estou também com ela! Eu a bendigo, e a Deus rogo pelo seu bem estar!
Nem sempre a gente pode optar pelas melhores escolhas, nem sempre podemos estar onde é mais importante... 
Contra censo?
Não, apenas a vida não é como queremos... Ela é o que é!
E por falar nisso, se minha mãe não tivesse tido garra, eu mesmos teria sido deixado a esmo, para viver ou morrer conforme desejasse o destino... Eu era de sete meses, sem corpo e sem peso, seguindo a história, eu era um rebento que cabia numa caixa de sapatos... - Só não sei o tamanho do pé, pois se depender dos pés de mamãe o número era 35!
Assim, nesta data vão setenta e um abraços, acompanhados de setenta e um beijos deste filho, velho, primeiro que te ama demais mamãe...
Amanhã estarei contigo! De corpo presente! Querendo teus abraços quentes, e teus beijinhos!
Amanhã!
Só amanhã!
Pois hoje eu sou ( só ) alegria, lembranças, emoção e pensamentos!
 
Edvaldo Rosa
www.sacpaixao.net
22/08/2015
 
 
 
Edvaldo Rosa
Enviado por Edvaldo Rosa em 22/08/2015
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